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Os reis das vendas na Internet - O comercio on-line cresce 40% ao ano no Brasil , torna-se um negócio de 10 bilhões e começa a transformar radicalmente outras areas da economia
Existe uma área da internet brasileira na qual a bolha de oportunidades
não estourou. Pelo contrário, ela exibe taxas de crescimento acima de
40% ao ano, produz recordes sucessivos e atrai, para a sua área de
influência, um número crescente de empresas. Trata-se do comércio
eletrônico, o nome pomposo das vendas pela internet. Nesse pedaço do
mundo virtual, freqüentado por quatro milhões de brasileiros, operam
2.500 lojas, há 7 milhões de itens à venda e vai faturar, este ano, nada
menos que R$ 10 bilhões. Mais do que apenas um centro isolado de
prosperidade, o comércio na rede começa a afetar profundamente a
vida de empresas tradicionais, que têm (ou tinham) o núcleo dos seus Submarino: A cada dia, o maior site
negócios fora da internet. É o caso das companhias aéreas. É o caso da internet brasileira vende 5 mil itens.
Seu faturamento este ano será de R$
das montadoras. É o caso das livrarias. Suas histórias de pujança
570 milhões. “Crescemos 68% ao ano
digital compõem um colar de sucessos com os outros negócios que desde 2002”, diz Flávio Jansen,
operam exclusivamente na rede. A Câmara de Comércio Eletrônico presidente.
estima que o impacto do mundo virtual na economia – considerando as
vendas diretas e a influência da rede sobre a compra dos consumidores – pode chegar a R$ 50 bilhões
por ano. “Temos em mãos a oportunidade de construir um grande mercado”, afirma Cid Torquato,
diretor da Câmara-e.Net.
A maior operação exclusivamente virtual da internet brasileira pertence ao Submarino,
empresa fundada em 1999 que há cinco meses abriu seu capital na Bolsa de Valores de São
Paulo. Hoje, 48% do controle da companhia está na mão dos acionistas internos. A taxa de
crescimento da empresa supera qualquer negócio do mundo real: 68% ao ano. Até
dezembro, o faturamento do Submarino será de R$ 570 milhões, graças aos 5 mil itens
vendidos diariamente a clientes de todo o Brasil. Em 2004 a empresa atendeu 1,8 milhão de
pedidos e 914 mil clientes. “Ainda há muito espaço para ampliar nosso negócio porque
existem 30 milhões de potenciais consumidores no Brasil”, afirma Flávio Jansen, presidente
do Submarino. Como acontece em outros negócios da internet, os clientes do Submarino
integram as classes A e B. Eles têm uma enorme elasticidade de consumo, gostam
imensamente de novidades e gastam em média R$ 297 em suas compras. Os dados são do
último levantamento da consultoria e-bit, que a cada semestre publica o estudo Web
Shoppers sobre hábitos de consumo dos compradores virtuais. “Há um amadurecimento
desse consumidor. Ele perdeu o medo em relação à internet”, diz Pedro Guasti, presidente
do e-bit.
O melhor termômetro do que acontece hoje no comércio eletrônico nacional é o serviço de
comparação de preços Buscapé. Seus números são grandiosos. Por mês, recebe 12 milhões de
consultas. Dispõe de 500 mil livros para comparação, 60 mil CD’s, 30 mil DVD’s e até 5 mil postos de
gasolina, cujo preço do combustível é monitorado pelo Buscapé. “Nosso serviço é a prova de que o
brasileiro está planejando suas compras antes de sair de casa”, diz Romero Rodrigues, diretor da
empresa. E que compras são essas? Os itens mais vendidos pelas lojas virtuais seguem a seguinte
ordem: CDs, DVDs, livros, eletroeletrônicos e produtos de beleza. Por último estão os
eletrodomésticos. Os carros ainda não são vendidos diretamente na rede. Apesar dos fabricantes
defenderem essa idéia, a legislação não permite que o negócio seja fechado sem a intermediação das
concessionárias. A internet serve de instrumento de escolha para quem pensa em comprar um carro,
novo ou antigo. A Fiat, por exemplo, fez uma profunda alteração em todo o seu site para otimizar a
venda de veículos. Hoje, o cliente escolhe o carro e a informação é despachada eletronicamente para
a loja mais próxima ao comprador. Trinta e três por cento das vendas da Fiat acontecem dessa forma.
Em um levantamento feito pela AgênciaClick, especializada em mídia on-line, a importância da
internet para a indústria automobilística se revelou estratégica. Os números mostraram que 60% das
pessoas que compram carros se informam sobre o produto em sites especializados. “Preparar-se para
o comércio eletrônico é inevitável para as grandes marcas”, afirma Pedro Cabral, presidente da
AgênciaClick.
As grandes empresas estão fazendo bom uso do novo canal de vendas. Em dezembro de 2001, ano
em que foi criada, a companhia de aviação Gol vendeu 7% das suas passagens pelo portal na
internet. Hoje, o percentual ultrapassa 80% de todo o volume da companhia. Por ano, a Gol fatura R$
3 bilhões. Desse total, R$ 2,3 bilhões chegam da operação on-line. “Temos poucos problemas e muita
satisfação por parte dos nossos clientes”, explica o vice-presidente de marketing da companhia,
Tarcísio Gargioni. Outra operação de comércio eletrônico de grande porte é feita pela rede de livrarias
Saraiva. O site foi criado em 1999 e já representa 25% da receita de R$ 300 milhões da companhia. A
logística por trás dessa operação é bem interessante. O estoque central da Saraiva é mínimo. As
entregas são despachadas de cada uma das lojas espalhadas pelo País. No total o acervo chega a 300
mil unidades. Essa estratégia possibilita a entrega de 25 mil itens em 24 horas, 70% dos quais são
livros. “O sucesso é tão grande que dentro de um mês pretendemos ampliar o negócio para vender
eletroeletrônicos”, afirma Marcílio Pousada, superintendente da Saraiva.
O lado democrático desse mercado é que marcas como a Gol e a Saraiva dividem a atenção dos
clientes com pequenas operações. Duas delas, a Flores Online e o Ingressos.com, são reveladoras do
potencial da rede. Essas empresas têm um custo operacional baixo e um alcance ilimitado em relação
aos consumidores. A Flores Online deve faturar em 2005 aproximadamente R$ 9 milhões, o
equivalente a 300 mil buquês de rosas a um preço de R$ 30. O negócio se mostra tão interessante
que os sócios da companhia pensam em transformá-lo numa loja de artigos de luxo associados à
flores. No caso do Ingressos.com a situação é semelhante. A empresa tem sede no Rio de Janeiro e
comercializa entradas para cinemas, teatros, festas e até parques cariocas e paulistas. Seu forte é o
mercado de filmes. Em 2005, a Ingressos.com venderá 1,3 milhão de ingressos para 700 salas do
País, 30% a mais que em 2004. “Não teria me transformado em empresário sem a internet”, diz Jorge
Alberto Reis, presidente da companhia. Sem a rede, muitos empreendedores brasileiros bem
sucedidos ainda estariam buscando emprego – e seus clientes procurando o que comprar.
Fonte: Revista Isto É Dinheiro, 7/9/2005
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