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"Pelé Eterno", documentário que estréia dia 25 de junho em 150 salas do país.Pelé eterniza seus gols e conquistas em documentário.
Por Fernanda Ezabella -
SÃO PAULO (Reuters) - A Rainha da Inglaterra anuncia, o Rei está na área. Na sequência, gols de cabeça, de bicicleta e dribles, um atrás do outro, por baixo das pernas dos adversários. A imagem do salto da vitória congela o herói no ar -- assim começa e termina o trailer de "Pelé Eterno", documentário que estréia dia 25 de junho em 150 salas do país.
Entre as relíquias do filme, está o gol de placa contra o Fluminense, em 1961, que foi reconstituído em uma cena gravada recentemente com o próprio Pelé. E o gol mais bonito do jogador, nunca filmado, na rua Javari contra o Juventus, em 1959, também está agora "registrado", embora com computação gráfica.
Vídeos do mundo inteiro, de países tão distintos como Afeganistão, Austrália e Índia, caíram nas mãos do diretor Aníbal Massaini, que levou cinco anos em pesquisas, procurando raridades e depoimentos de amigos, parentes e especialistas.
Está lá também o jogo de 1958 contra o América, no Maracanã, antes do Mundial, que rendeu a Pelé o título de Rei, dado pela primeira vez pelo cronista e dramaturgo Nelson Rodrigues.
As defesas que Pelé fez no gol, no começo da carreira, também aparecem. "Tem alguns registros, mas não tem as belas defesas que eu fiz", brinca o ex-jogador, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, em um hotel de São Paulo.
"O que está assombrando mesmo o pessoal é ver essas jogadas, as entrevistas, os lances, os comentários. Mas, o que me assombrou no filme mesmo, foi o que o Pelé fez pelo Brasil, pelo povo brasileiro", disse o ex-camisa 10 do Santos, lembrando suas ações sociais e a ajuda em promover a imagem do país em suas diversas viagens ao exterior.
"É isso o que quase não apareceu, porque os programas de esportes geralmente só mostraram os lances bonitos, as bolas debaixo das pernas."
LOIRAS, FILHAS E FUTUROS RECORDES
Ao custo de 6 milhões de reais, o filme tem o texto assinado pelo cronista esportivo Armando Nogueira e roteiro de José Roberto Torero.
Como o próprio Nogueira lembra, mais que títulos -- como as três Copas do Mundo, 1958, 1962 e 1970 --, Edson Arantes do Nascimento conquistou também corações. Nas fotos que aparecem no trailer do filme, diversas loiras rodeiam o jogador, incluindo Xuxa.
Pelé contou aos jornalistas que uma parte problemática do documentário foi decidir como as suas duas filhas, reconhecidas já quando adultas, seriam apresentadas.
"Não seria justo deixar isso de fora. Não sabíamos como mostrar isso (...) com uma filha eu tenho um relacionamento, mas com a outra não", disse Pelé. "Mas a equipe e o diretor conseguiram dar um jeito."
Massaini, por sua vez, contou que teve que frear seus impulsos cinematográficos para buscar uma forma mais clássica de documentário e assim obter o "mais amplo painel sobre a vida de Pelé", tanto para o público nacional como o internacional.
A trajetória de Pelé desde a infância pobre em Bauru é mostrada com revelações de sua vida pessoal e profissional.
O filme de duas horas tem ambição tão grande como as conquistas do ídolo de 1.281 gols. Depois do lançamento no cinema, a estimativa é vender o recorde de 500 mil cópias em DVD e VHS. Em 2006, quando chegar a hora da TV, ganhará mais minutos de duração e se transformará em minissérie.
O ano escolhido é proposital: além da Copa do Mundo, haverá as comemorações dos 50 anos do início da carreira de Pelé, que começou aos 15 anos, em 1956, no Santos.
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