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O futuro da cotação do dólar
Depois do recente sucesso da colocação dos bônus da República no mercado internacional, no valor de US$ 1,5 bilhão, já se cogita de nova emissão a ser realizada antes do final de 2003. Uma decisão a respeito poderá ser tomada em função do que for negociado com o FMI, num novo acordo, ou para aproveitar a fase favorável do mercado, antecipando-se às captações previstas para 2004. Em nenhuma hipótese uma nova emissão deve ser interpretada como indício de enfraquecimento da situação cambial. -
Houve certa surpresa no mercado quando o BC divulgou sua estimativa sobre as amortizações de médio e longo prazo no ano que vem: US$ 40,6 bilhões, contra apenas US$ 27,1 bilhões no presente exercício, o que parece resultar das grandes captações feitas nos últimos meses. Observe-se que, em dezembro deste ano, os bancos e empresas privadas terão um vencimento recorde de compromissos externos, da ordem de US$ 2,4 bilhões, o maior de 2003. -
É normal que os agentes econômicos se interessem em avaliar que efeitos esses compromissos poderão ter sobre as cotações do dólar. Na última pesquisa realizada pelo BC (Focus), as estimativas para a cotação do dólar no final de 2003 e de 2004 foram reduzidas, respectivamente, de R$ 3,10 para R$ 3,05 e de R$ 3,35 para R$ 3,33 parecendo não terem sido afetadas pelas informações sobre o aumento das amortizações. -
A Consultoria Tendências, que desde setembro divulga o Monitor Cambial, apresenta uma estimativa das necessidades de financiamento externo (excluindo os recursos do FMI) para este ano e para 2004. A estimativa do saldo das transações correntes parece muito arriscada, mas a das amortizações de médio e longo prazo, que representam a maior saída de recursos, é mais segura. O estudo admite uma necessidade de recursos de US$ 25,8 bilhões neste ano e de US$ 45,8 bilhões em 2004, o que poderia causar forte elevação do dólar. -
As necessidades de financiamento em 2003 decorrem de uma amortização de US$ 27,1 bilhões e de um superávit das transações correntes de US$ 1,3 bilhão e, em 2004, de um déficit das transações correntes de US$ 5,1 bilhões e amortizações de US$ 45,8 bilhões. A grande surpresa da projeção da Tendências é que, se neste ano a captação de recursos é de apenas US$ 27,5 bilhões, no ano que vem ela é estimada em US$ 42,7 bilhões. A diferença estaria no aumento dos empréstimos e financiamentos, de US$ 23,7 bilhões em 2003 para US$ 36,2 bilhões no próximo ano, e no aumento dos investimentos diretos estrangeiros, de US$ 9,1 bilhões para US$ 12,1 bilhões. É o clima de otimismo em relação à possibilidade de captação de recursos externos no ano que vem que explica a relativa estabilidade da taxa cambial.
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